Dia Que Completo 80 Anos de Idade e 66 Anos de Umbanda
- 7 de jun.
- 4 min de leitura
Contador de Histórias - Realidade ou Ficção

A voz da minha alma secreta e imortal disse-me: "Deixa-me entrar no Caminho das Trevas, Matéria, e por ventura encontrarei a Luz". Foi por isso que mergulhei na matéria em mais uma reencarnação, a fim de encontrar o meu EU Superior. Fui preparado nos sete sítios sagrados da Natureza e meus plexos foram ajustados para cumprir mais uma etapa no caminho da minha Libertação. Fui conscientizado de que a tarefa não seria fácil. Mas eu sabia que não estaria SÓ.
Fui apresentado aos meus Mentores, que iriam trabalhar na minha mediunidade nesse mergulho que daria na matéria densa, em uma época definida pelos Senhores da justiça cármica. Senti um frio na coluna.
Tudo foi planejado e a minha alma que vai reencarnar fica extasiada. Falo "minha alma", pois sou um Espírito caído e tenho uma alma como veículo. Somos prisioneiros em uma matéria hostil à espiritualidade.
Entrei em um salão repleto de cristais avermelhados e cheio de luzes coloridas. Nesse momento fui chamado pelo nome que eu teria na Terra, tudo é planejado. Que emoção! Entrei em outra sala de cristais azul claros. Bloquearam minha tela atômica, que fica logo abaixo do córtex, para que eu não tivesse acesso às minhas vidas passadas.
Houve uma reunião antes da minha partida, com muitas almas afins, desejando-me sucesso na minha descida ao mundo denso, posso dizer que foi uma louvação de despedida. Não posso esquecer que tive uma reunião astral com os que seriam os meus provedores da vida na matéria, quando se é escolhido e aceito para fazer parte de almas afins em sua encarnação.
Fui avisado de que estaria chegando a hora de voltar à matéria densa. Entrei em uma máquina que parecia uma máquina do tempo e lá havia uma grande tela com muita nitidez. Eu via o meu corpo físico no útero da minha futura mãe, eu já estava ligado a ela há meses, mas somente agora pude ver o corpinho. É fantástica essa visão uterina, vista do ponto de vista espiritual: eu sendo gerado em outra dimensão.
Foi-me dado o aval para penetrar no meu corpo definitivo. No princípio, dá uma certa euforia; a mente do reencarnado vai perdendo um pouco a dimensão, e o esquecimento vai tomando conta do SER ASTRALIZADO que vai mergulhar na matéria densa. E assim:
Cheguei aqui na tarde do dia 7 de junho de 1946 (no signo de Gêmeos, que traz os aspectos de que precisaria nessa encarnação), para cumprir o meu chamado na Umbanda. Espero estar cumprindo bem o meu chamado de Sacerdote de Umbanda. Como é bom esse chamado! Com o auxílio do Caboclo, do Pai Velho, da Criança e do Exu Guardião, adentrei na terra das Santas Almas. Maravilha, que alegria interior!
Tudo começou no Bairro de Quintino, no Rio de Janeiro, ainda Guanabara na cidade-estado do Rio de Janeiro, fui levado pelo meu irmão Miguel Arcanjo, grande Umbandista.
Fui levado à presença do Sr. Isaías e da Madrinha Nadir, pessoas ímpares na Umbanda, de muita dedicação. Tive contato com Pai Tomás, entidade astralizada ímpar; muitos conhecimentos me foram passados por longos anos.
Havia o grande dilema: eu era militar da Aeronáutica e passei em um concurso para ser Sargento da FAB, precisando ir para a Escola de Sargentos Especialistas em Guaratinguetá, no ano de 1971. Passei dois anos nessa cidade e me formei. Fui graduado Terceiro Sargento na especialidade de Meteorologista em meados de dezembro de 1972. Daí começou a minha Grande Jornada.
Em 31 de dezembro de 1972, apresentei-me no Aeroporto de Congonhas para trabalhar como meteorologista. As coisas complicaram: sem família e sem um rumo, senti que não daria para voltar a morar na Guanabara. Sentia muita aflição, não conhecia nenhum Templo de Umbanda para frequentar, e ainda assim a Guanabara ficava cada vez mais distante.
Fui morar no Bairro da Liberdade, cheio de tradição japonesa, em uma pensão. Brasileiros éramos apenas dois, e também militares. A solidão batia forte.
O Astral de São Paulo era completamente diferente do Rio de Janeiro. Tentei muitas vezes voltar para o Rio, mas não conseguia. Aí comecei a procurar um terreiro em Sampa, percorri muitas giras, conheci muitas vertentes da Umbanda. Diga-se de passagem: a Umbanda é muito maravilhosa, pelo seu acolhimento aos vários graus de Consciências.
Continuei os meus estudos de Umbanda. O Terreiro que me iniciou no Rio foi transferido para Santa Cruz, e pouco podia ir, pois ficava longe para mim. Mas o Isaías tinha muito carinho por mim e enviava as aulas via Correio. Vou deixar uma lacuna na minha passagem por São Paulo e entrar no meu Chamado na Umbanda.
Os estudos não pararam; a caminhada foi longa e cheia de atritos e vitórias. Por muito tempo, ainda no Rio, fiz parte dos Mantos Amarelos, dos Yamunisiddhas. Em São Paulo, o conhecimento me chamava. Entrei na Rosacruz de Curitiba, ingressei na Maçonaria em 1979 e fiquei até 2009; fui Venerável Mestre por dois anos seguidos. Conheci e bebi do conhecimento de vários mestres de vários segmentos filosóficos, os quais não citarei, pois são conhecimentos fundamentais e não autorizados a serem revelados.
Em 1994, conheci a OICD, comandada pelo Mestre Rivas Neto. Ali aprendi um bocado. Depois voltei ao Rio e conheci Maurício Omena, comandante da Estrela do Mar, fundada pelo Capitão Lauro, grande amigo do Matta e Silva. Por fim o grande irmão Mário Tomar que também foi de muita valia.
Hoje sou dirigente do Terreiro de Umbanda Ogum Megê — TUOM.
"Eu sou o único ser em um abismo de escuridão; de um abismo de escuridão saí antes de nascer, do silêncio de um sonho primordial.
E a voz das idades respondeu à minha alma: 'Eu sou aquele que se formula na escuridão, a luz que brilha na escuridão, embora a escuridão não a compreenda'".
Texto: Pai Carlos da Costa - Kamuara.
Texto revisado e diagramado por Fabiana Dutra.




Comentários