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Fascinação, Engambelo e Mistificação

há 11 minutos
2 min de leitura
Médium dividido entre a realidade do terreiro e uma entidade sombria, ilustrando a mistificação espiritual

Nas obras de Ramatís, especialmente em “Mediunismo” o conceito de fascinação, é tratado como um dos estados mais perigosos de fragilidade do médium, que pode levá-lo a subjugação e obsessão espiritual.


Segundo Ramatís, o médium fascinado é aquele que se torna vítima de uma ilusão profunda de sua própria importância, vaidade ou suposta superioridade espiritual. Uma entidade mal-intencionada, ardilosa ou pertencente às faixas umbralinas (as "trevas") consegue burlar a vigilância do medianeiro, muitas vezes negligente quanto ao estudo e à reforma íntima, e passar-se por um guia espiritual venerável, como um mestre, um santo ou um espírito de alta envergadura.


O médium fascinado perde a capacidade de autocrítica. Ele passa a acreditar cegamente que é um enviado especial da espiritualidade, um "escolhido" para missões salvadoras grandiosas, tornando-se impermeável aos conselhos sensatos de amigos, familiares ou dirigentes prudentes. O espírito mistificador alimenta o orgulho do médium com bajulações, elogiando sua inteligência, sua mediunidade ou seus falsos talentos, até que o encarnado caia completamente em suas malhas. 


Desse modo, a fascinação atua como o motor perfeito para o engambelo: o médium, cego pela vaidade, entrega voluntariamente seu livre-arbítrio e sua razão, transformando-se em um porta-voz dócil de ideias subversivas, dogmas falsos ou teorias mirabolantes, achando que está servindo ao Alto quando, na verdade, serve aos interesses de manipulação das sombras.


O Véu da Ilusão

Na senda da mediunidade, o maior perigo não reside nos espíritos grosseiros que se denunciam pelo escracho ou pela brutalidade de seus fluidos, mas sim naqueles que se vestem com a capa da falsa santidade. A fascinação mediúnica é a engrenagem sutil que movimenta o grande teatro do engambelo: o médium, embriagado pela própria vaidade e carente de aplausos, abre as portas da mente para o falso guia. A entidade maliciosa estuda suas fraquezas, adula seu ego e sussurra que ele é um enviado de escol, um apóstolo reencarnado.


Cego por essa lisonja invisível, o medianeiro perde a sintonia com a verdadeira humildade e passa a traduzir as próprias ilusões, ou os delírios impostos pelo mistificador, como verdades absolutas vindas dos céus. O altar ou congá de fé é, então, subitamente transformado em palco de exibicionismo, onde o orgulho substitui a caridade e a razão cede lugar ao dogmatismo cego.


Você já se deparou com médiuns fascinados? Num terreiro, no centro espírita ou,  até nas redes sociais?


Por que este fenômeno é tão repetitivo, como vemos, de tempo em tempo, os mais diversos abusos espirituais na mídia?


Mestre Ramatis 

Casa de Ogum Guerreiro e Yansã


 
 
 

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Casa de Ogum Guerreiro e Yansã

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