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Lendas de Exú - A Chuva e o Fogo

  • Foto do escritor: Patrick Leitão
    Patrick Leitão
  • 16 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura
Pé de um altar com uma cruz de madeira.

   Era muito comum, na antiguidade, disputas pelo poder entre animais, elementos da natureza e até mesmo objetos que, então, possuíam vontade e ânimo próprios.

Narrarei agora uma seria disputa que ocorreu entre o fogo e a chuva e, creiam os leitores, este é um fato verídico.


   A chuva, que se achava muito importante e poderosa, era muito solicitada pelos homens, que não podiam viver muito tempo sem sua presença. Era ela quem reabastecia os mananciais, refrescava o ar e fertilizava a terra, garantindo o desenvolvimento das plantas que alimentavam, indiscriminadamente, homens e animais. Consciente de tudo isso, achou-se no direito de governar sobre a Terra.


   Da mesma forma, o fogo adquiria consciência de sua importância. Era ele quem cozinhava os alimentos consumidos pelos homens, mantinha-os aquecidos nas épocas frias, iluminava suas noites, espantava as feras que os ameaçavam e amolecia os metais, tornando-os manipuláveis e facilmente trabalhados.


   Estava sempre presente nas comunidades humano e, tinha certeza tornara-se indispensável à sua sobrevivência. E os dois viviam em permanentes e longas discussões, durante as quais cada um apresentava fortes argumentos para assegurar a sua primazia de importância para os homens.


   Cansado de tanta discussão inútil, Exu resolveu, um dia, estabelecer um concurso para definir qual dos dois era capaz de influenciar, com mais eficácia, as atitudes humanas.


   Determinou então que, antes do teste, cada um dos concorrentes deveria oferecer um sacrifício a ele mesmo, Exu, o que o tornaria imparcial na hora da decisão.


   O fogo ofereceu seu sacrifício, mas a chuva limitou-se a dizer: - Nem com um árbitro parcial poderei perde essa disputa. Não oferecerei nenhum sacrifício a Exu e, tenho certeza, serei declarada vencedora!


   No dia do concurso a chuva, o fogo e Exú reuniram-se no alto de uma montanha, de onde se divisava um povoado, assim como a estrada que conduzia a ele.


No que consiste o teste ao qual seremos submetidos? – perguntou a chuva ansiosa.

Quero ser a primeira a fazê-lo, que é para acabar logo com esta farsa!

Veem aquele homem que se dirige pelo caminho que leva ao vilarejo? – perguntou Exú.


Sim! – responderam os candidatos.

Pois o vencedor será aquele que fizer com que o manto que cobre o seu corpo seja arrancado – declarou o árbitro.


   A chuva lançou-se furiosamente sobre o homem, na esperança de, com a força de suas águas, arrancar-lhe-ia o manto. O homem, no entanto, logo que sentiu as primeiras gotas caírem sobre sua cabeça, enrolou-se ainda mais nos panos, segurando-os firmemente com os braços cruzados sobre o corpo. Depois de meia hora, prazo concedido a cada um dos candidatos, a chuva sem conseguir fazer com que o homem tirasse o manto, recolheu-se humilhada.


   Era vez de o fogo submeter-se ao teste e, para tanto, surgiu diante do homem em forma de uma pequena fogueira.


   Encharcado e tiritando de frio, o caminhante aproximou-se do fogo, alimentou-o com alguns gravetos que recolheu ao redor e, sentando-se diante dele, tirou as roupas, que torceu cuidadosamente e estendeu para secarem ao lado da fogueira.


   E foi assim que a chuva, por vaidade, perdeu para o fogo a disputa estabelecida por Exu.


Escritor Adilson Martins

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